Sobre o fora:
Eu estava de olho em um cara lá na biblioteca, isso já fazia quatro messes. Meus vestibulares terminaram e eu parei de estudar, nunca mais encontrei o cara-gato-da-biblioteca. Um tempo depois voltei lá no período da manhã para visitar as minhas amigas ( a mais nova tem 48 anos ) que trabalham lá, quando eu cheguei vieram me abraçar, me beijar, me ouvir contar as novidades. Me dirigi para a área de leitura, meus olhos bateram diretamente na mesa onde ele estava sentado( sim, o cara-gato-da-biblioteca). Assim que ele me viu, por mais estranho que isso possa parecer ele trocou de cadeira e ficou de frente para mim, sentado, lendo, me olhando. Logo todas as meninas da biblioteca perceberam que ele estava me observando, então resolvi revelar o afeto que por ele eu nutria. Animadas com a possibilidade de verem bem diante dos seus olhos o desenrolar de um relacionamento amoroso entre pessoas do mesmo sexo, elas me deram apoio, coragem e o estimulo necessário para ir até a mesa dele. Lutando contra a minha timidez, contra a minha natureza, eu fui de encontro ao meu destino. Quando eu consegui respirar e perceber o que se passava ao meu redor já estava sentado ao lado dele falando sobre faculdade. Ele está no quinto semestre de química, tem pêlos no peito, ele se matriculou atrasado, a voz dele era muito calma, lenta, baixa e gostosa, ele realmente gosta do curso. Foi tudo o que eu consegui descobrir nesses dez minutos de conversa. Assim que sai da minha cadeira e virei em uma das estantes fui cercado pelas bibliotecárias idosas, frenéticas, excitadas e elas perguntavam: E ai? O que ele disse? Pegou o msn dele? Pegou o número? Olhando para baixo eu respondi: Não tive coragem. Quase que nervosas elas me mandaram de volta, minha missão era pegar o msn do cara-gato-da-biblioteca, de forma robótica perguntei: Pode me dar seu msn? Ele deu, foi um alivio, o que eu fiz? Sai correndo feito um louco e pulei a janela da biblioteca para ficar o mais longe possível... não fiz isso, mas tive vontade.
Agora só faltava saber se ele havia me dado o msn correto, esperei dois dias, depois se passaram 3,4,5 dias, ele me deu o msn errado, pensei. 1 semana e meia depois ele entra no msn e me pergunta: quem é? Eu respondo: Murillo, o cara da biblioteca. Ele disse: Vou aqui no supermercado. Meia hora se passou e ele não respondia nada, não voltava do maldito supermercado. Já estava ficando desesperado, já estava pensando: Estraguei tudo. Finalmente a droga da janelinha dele pisca com a cor laranja, e não era um dos meus amigos inoportunos, era ele e perguntou: Por que pegou meu msn mesmo? Fiquei sem palavras, fiquei com vergonha, agora eu queria pular da janela do meu quarto e sair correndo dali, mas não, eu respondi: Err... para trocarmos uma idéia, sei lá.Depois disso nada mais foi dito, peguei o nome dele, procurei seu orkut , achei! Bingo! Entrei pelo orkut da minha amiga e vi que o estatus estava "casado", fiquei com raiva, quis gritar, quis praguejar... meia hora depois e sem resposta nenhuma eu disse: Cara, eu vou sair. Fechei o msn, dei as costas e ainda permanece a esperança de ser correspondido, se não for desta vez será na próxima... um dia quem sabe.
Eu só me fodo nessa merda.
Sobre o filme: PLATA QUEMADA

Dois ladrões homossexuais roubam um banco na Argentina e
planejam fugir para o Brasil. O amor entre esses dois "roubadores de banco"
Angel e
Nene é confuso, agitado e
romântico. Envolve traição, perdão, idas e voltas. Baseados em fatos reais, é um filme dirigido por Marcelo
Piñeyro. Não é um filme maravilhoso, mas é
legalzinho. O final é emocionante.
